14. PERGUNTA DE RISCO

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Arte: Márcio Bruderhausen

Por Maurício Fregonesi Falleiros

Isso não se faz, mas a gente faz mesmo assim

Pra quem se arrisca a rabiscar uns textos de vez em quando, e sonha em ser escritor quando crescer – e em escrever bem como o Raul Otuzi escreve –, ler um texto como esse “Pergunta de Risco” é muito mais do que uma leitura, é um exercício de adivinhação.

Porque, por mais que se esteja completamente envolvido pela trama bem construída, por mais que os diálogos que, de tão reais parecem transcrições de falas gravadas numa fita, deliciem quem está lendo, não tem escapatória: quem é metido a escritor, fica com uma parte do cérebro focado na história e a outra voando, imaginando o que vai vir a seguir, qual vai ser o desfecho e por aí vai.

É uma coisa meio boba, eu sei, mas o que se pode fazer? A gente fica tão intrigado com a forma em que o autor coloca as ideias no papel e as vai desenvolvendo, que automaticamente tenta ser tão criativo, coeso e surpreendente como ele, ou seja, tenta adivinhar o que vai acontecer na história. Só que nunca consegue. E mais uma vez o Raul engana, brinca com a leitura, estraga o jogo. E a gente se esbalda, se diverte com isso.

Pensando bem, mais do que bobo, isso parece um pouco doentio. Mas não é doença, não, é admiração. Que só aumenta a cada crônica, poesia ou conto, como no caso, que ele imagina e concretiza.

E esse “Pergunta de Risco” é especial, porque além de reunir tudo isso que eu disse acima, ainda tem um quê de Nelson Rodrigues, que faz a gente imaginar o que aconteceria se o texto tivesse uma continuação. Seria de lamber até os dedos. Quer dizer, seria ainda mais interessante e surpreendente que isso, já que o Raul ia pensar numa continuação bem melhor do que qualquer uma que qualquer um dos seus leitores imaginasse.

Como o autor faz questão de frisar no início do conto, certas perguntas não devem ser feitas em hipótese alguma. Mas as pessoas as fazem, como era de se imaginar. Da mesma forma, talvez também existam coisas que nunca devem ser feitas ao ler um texto, e tentar adivinhar o final pode ser uma delas. Mesmo assim, vou continuar tentando. E continuar errando também, é claro. Que venha o próximo engano.

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